Tirando o foco da tristeza

Coisas Boas
15 de fevereiro de 2015
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Tenho estado distraída comigo mesma. Não quero sentir a dor da perda e a tristeza no meu coração que toca fundo a minha alma. Gostaria que eles estivessem aqui novamente, só mais uma vez. Gostaria de vê-los, cheirá-los, tocá-los, enfim, estar com eles.

Sinto muita falta do meu marido. Quando seu diagnóstico chegou eu chorei. A dor e o medo vieram tão de repente! Tive que me afastar e chorar, pois ele não queria ver minhas lágrimas. De alguma forma isso tornaria a situação mais real para ele, que queria que eu fosse a parte mais forte de nós dois. Isso tornou as coisas muito difíceis para mim. Então dediquei-me ao que precisava ser feito por ele e às providências do dia-a-dia que ele sempre havia cuidado.
Quando meu marido morreu eu queria morrer com ele, não queria ficar só. Quando minha neta morreu, eu disse “Deus leve-me, eu tive uma boa vida e a dela está apenas começando”! Quando meu pai morreu, fechei-me totalmente. Quando minha avó morreu, senti a perda do seu amor. Quando perdi um neto, senti a perda de ser avó pela primeira vez. Quando os pais do meu marido morreram, aceitei que isso era o melhor, já que eles estavam tão doentes. Quando meu avô morreu, esta foi a minha primeira experiência de perda e eu não sabia lidar com os meus sentimentos, porque estava mergulhada na minha codependência.

Cada perda tem me feito passar por uma época de luto, desligamento e amor. Viajei pelo vale da morte com passos pesados, calcados no peso da minha tristeza e dor. Vaguei só e sem ajuda, por vezes ser ver uma luz no fim do túnel. Costuma-se dizer que existe cinco fases do luto (tristeza, dor, perda, raiva e desespero). É verdade e elas não têm vindo em ordem ou uma de cada vez. Elas têm vindo seguidamente e em momentos diferentes da minha vida. Elas me pegaram de surpresa quando menos as esperava e me colocaram de volta no grande buraco negro da tristeza, dor, perda, raiva e desespero. Entendo, pela minha experiência, que a dor não é para maricas. Não senhor! Estou aqui para lhes dizer que a dor não toma conta apenas dos tímidos, fracos, ou descontrolados. Ela não discrimina raça, cor, sexo ou credo. Tristeza para mim é como uma doença, que me atinge quando menos espero. Ela não se importa se estou sentada sozinha em casa ou em uma sala lotada. Ela não joga limpo! Quando acho que estou no controle; pimba! Ela vem e me derruba novamente.

O luto mudou a minha vida! De certa forma me fez mais forte e mais capaz, como ser capaz de fazer as coisas que o meu marido fazia por mim. O luto me ajudou a focar nas coisas realmente importantes da minha vida: meu relacionamento com minhas filhas, minha recuperação e a coisa de viver cada dia pelo que vale a pena, não importando o que seja. O luto me deu uma perspectiva nova sobre a vida e sobre como cada relacionamento é tão precioso. Nunca poderei voltar aos dias que vivi com os meus entes queridos. Talvez seja isso que o luto esteja tentando me dizer. Vivo só por hoje, valorizo aqueles que amo a cada dia, sem saber quando será o meu último dia com eles; ou o meu último dia para dizer: “Eu te amo, te valorizo, preocupo-me com você”! Ou apenas estar presente no momento e apreciar a minha ligação com o meu Poder Superior e meus entes queridos. Tudo é possível para mim se apenas eu acreditar!

Hoje foi um dia de lágrimas, de olhar para trás e de sentir falta daqueles entes queridos. Praticando a minha recuperação, escrevo minhas experiências no meu diário, compartilho as minhas lutas e sinto que preciso de outros companheiros ao meu lado. Não sei o que a vida tem para mim, mas sou grata pelo meu Poder Superior, pela coragem de mais uma vez praticar as ferramentas de recuperação e por receber todos as bençãos que este dia tem para mim.

Que Deus abençoe a todos vocês durante esta temporada de férias, que tende a desencadear velhas memórias de tempos passados ​​e dos entes queridos perdidos, que nos são tão caros.

Esse texto é tradução de uma contribuição de um membro CoDA ao site do CoDA mundial.

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